quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lucky loser

Que coisa, rapá. O sueco Robin Soderling, cabeça número seis, desistiu de participar do US Open e o Rogerinho entrou na chave como lucky-loser. Está jogando, enquanto eu escrevo essas mal traçadas linhas, contra o irlandês Louk Sorensen. Estou aqui olhando a ficha do rapaz no site do torneio e, confesso, não sei o que esse cara está fazendo ali. Ele passou pelo quali, produção? Favor checar.

Aguardo.

Aguardo mais um pouco. Enquanto isso eu vou enrolar meu público um pouco. Seja como for, o jogo está indo para o quarto set e Rogerinho está vencendo por 2 a 1. Começou com um pneuzaço pra cima do caboclo da Irlanda, depois perdeu o segundo de 6-3 e ganhou o terceiro em 6-4, quebrando o saque do adversário no 5-4.

Confirmado: Sorensen passou pelo qualifying. É, eu não entendo essas regras do tênis. Por exemplo: por que o Feijão, tenista top 100, não entrou na chave principal diretamente? Alguém sabe me explicar? Não estou questionando. Eu só queria entender. E esse tal de Sorensen é apenas o número 618 do ranking e... e acabou de desistir! É isso mesmo. Rogerinho está na segunda rodada do US Open! Tã-tã-tã (música-tema da Fórmula 1).

Não estou brincando, meu povo. Eu estava acompanhando o jogo no site do US Open quando de repente, no 1-0 para o Rogerinho, quarto set, 30-30 com Sorensen sacando, apareceu o termo "match completed" e vitória para o brasileiro. O irlandês "reitred" do jogo. Não, seu ignorante: ele não se aposentou. Ele desistiu. Só isso.

De uma maneira um tanto estranha, entonces, teremos um brasileiro na segunda rodada do US Open. Rogerinho, agora, enfrentará... o adversário dele já está definido, produção? Puta merda, seu bando de incompetentes! É óbvio que eu ia perguntar isso e estamos ao vivo, porra. Tá, vai logo.

Enquanto isso, vamos falar de Rogério Dutra da Silva, o Rogerinho, tenista de 27 anos, atualmente o número 114 do mundo. Já faturou U$ 238.006,00 na carreira e, bom, com essa vitória aí vai pingar mais algum.

Certo, Rogerinho, agora, enfrenta o vencedor do duelo norte-americano entre alex Bogomolov Jr. e Steve Johnson. Deve dar Bogomolov, não? É, porque eu nunca ouvi falar nesse Steve Johnson. Bogomolov é pedreira. O tal do Steve Johnson deve ter sido convidado. Puxemos a ficha do rapaz:

Steve Johnson (nasceu no dia 24 de dezembro de 1989, é o atual 525 do ranking e, das duas partidas que disputou no circuito profissional, perdeu as duas). Ou seja, é Bogomolov contra o vento e teremos o Rogerinho contra o russo naturalizado norte-americano na segunda rodada. Repito, Bogomolov, atual 44º do ranking da ATP, é pedreira.

Ora, não é momento de se preocupar. É momento de dar vivas ao lucky-loser Rogerinho e dizer, da maneira mais estupidamente ufanista: o Brasil terá um representante na segunda rodada do US Open 2011!

Só pra confirmar: Steve Johnson foi convidado pela organização e, sinto muito, tomará uma tunda de Alex Bogomolov Jr. logo mais.

Em tempo

Só para calar a minha boca, o "vento" Steve Johnson acaba de ganhar o primeiro set: 6-4. Mas eu ainda acho que a sorte do Rogerinho tem limites. Vai dar Bogomolov, ou eu desfilo de Carmen Miranda no próximo Carnaval. Agora, se Rogerinho chegar à terceira rodada eu dou R$ 500,00 para cada um que ler isso aqui, é só mandar um e-mail pra mim com o número da conta (esta promoção vale apenas para o dia do próximo jogo do Rogerinho).

Em tempo 2

Acorda, Juninho! Vento 2-0 Bogomolov Jr. Tá querendo me ver vestido de Carmen Miranda? Olha, eu não costumo cumprir com a minha palavra.






US Open: day two

Mais um dia sem grandes surpresas. Como este espaço previu com exclusividade, a partida entre Davydenko e Dodig foi muito equilibrada e emocionante, cheia de altos e baixos, fortes emoções e, nosso amigo, o carequinha russo, acabou levando a melhor. Também, muito azar do croata, estrear como cabeça-de-chave logo contra um macaco velho como o Davy.

Talvez alguém possa apontar a derrota do cabeça dezesseis Youzhny para o letão Ernests Gulbis como uma zebra, um underdog, como gostam de dizer os americanos. Não considero uma zebra. Gulbis é um ótimo tenista quando está ligado na tomada. Às vezes, parece que ele solta o fio da tomada e a coisa desanda. Não foi o caso ontem. Ligadíssimo no 220, ele despachou o russo em sets diretos, defendendo-se bem quando precisou (não cedeu nenhuma das dez chances de quebra que o russo teve contra ele) e não desperdiçando suas chances (por sua vez, Gulbis quebrou quatro das sete oportunidades que teve). É, só me surpreendeu um pouco a vitória ter sido de 3 a 0. Pensei que ali estivesse um jogo para cinco sets.

Nadal

E o nosso amigo Rafa, hein? Quantos sustos ele nos pregou ontem. Sei não. Se fosse uma partida contra um tenista um pouquinho mais frio na hora de decidir, o leite poderia ter azedado. Mas Nadal, além de ser Nadal, o tenista que mais sabe sair do buraco que eu já vi em toda a minha vida, estava jogando contra Golubev, o cara que faz uma das piores campanhas do circuito este ano. Ele perdeu trocentas estreias e, num torneio recente aí, preparatório para o US Open, foi manchete mundial por ter vencido um jogo depois de não sei quantos meses.

Estamos falando de um tenista ruim? De jeito nenhum. Golubev é um bom tenista e mostrou ontem, em vários momentos, que tem categoria de sobra. Infelizmente, o cara tem uma dificuldade enorme de fechar o jogo e também se desestabiliza com muita facilidade.

Exemplo: ele estava sacando e, no primeiro ponto do game, mandou uma bola na linha (a qual Nadal pegou) que o juiz cantou fora. Golubev desafiou e, constatado o engano pelo hawk-eye, o juiz mandou voltar o ponto. Golubev ficou puto da vida com o erro, disse que foi prejudicado, etc e tal. Verdade. Foi prejudicado. Mas o que mais poderia fazer o juiz senão voltar o ponto, uma vez que não tinha se tratado de um winner? Resultado: naquele game o tenista cazaque não jogou mais nada e foi quebrado de zero.

Por essas e por outras, Golubev saiu na frente nos três sets e perdeu os três, sendo que no segundo e no terceiro abriu 5-2 e falhou. Falhou demais. No terceiro set, Golubev sacava em 5-2 e deixou o Nadal, sem grandes dificuldades, ganhar cinco games seguidos para fechar o jogo em 3-0 (6-3; 7-6; 7-5). Assim não dá, Golubev. Quanto a você, Rafa: abre o olho, senão você, além de não recuperar a posição de número 1, vai perder a de número 2. Murray vem aí.

Errata

Por falar em Murray, eu disse erroneamente que tanto o jogo do Murray quanto o do Feijão seriam ontem, induzindo milhares e milhares de fãs do tênis ao erro. Perdoem-me, por favor. Seus jogos serão apenas hoje. Algo me diz que Murray não vai nem suar a camisa e, só vai desmanchar o penteado porque ele já vem desmanchado de fábrica. Feijão é minha única esperança de ver um brasileiro na segunda rodada, porque não acredito que Ricardo Mello tenha qualquer chance contra Gilles Simon. Olho na Grandstand, galera. Feijão joga lá depois do jogo do Soderling e da Marion Bartoli. E Ricardo Mello é o terceiro da quadra treze. Uh, quadra treze. Quem sabe a zebra não pinta por lá? Não custa torcer.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estreia do Nole?

Olha, eu não vi nada, pois estou no trabalho. Não sou vagabundo como certas pessoas que ficam o tempo todo só coçando o saco e assaltando a geladeira. Aí fica fácil, mermão. O sujeito fica lá, na sombra e água fresca, não faz porra nenhuma e depois posa de entendido de tudo que é esporte. E a sessão da tarde, vagabundo? Tava passando o quê hoje? Safado!

Não vi nada, mas, como ninguém é de ferro, eu abri o sítio do US Open e, de vez em quando, eu dava uma conferida nos resultados. O que é que tem, palhaço? Eu não fico a tarde inteira no cafezinho, ou passando cantada na secretária, como certas pessoas. Eu trabalho, viu? Sou pau pra toda obra. Sou pé-de-boi. É saudável espairecer de quando em vez, oras. E eu só dava uma sacadinha nos resultados e já voltava aos meus milhares de afazeres.

Se agora eu estou no meu horário de trabalho? Bom, tecnicamente sim. Mas, veja bem, eu trabalhei demais hoje. Mereço um refresco e...e eu não tenho que dar satisfação pra vagabundo. Vagabundo! Vai lá, tomar o sua cervejinha no Bar do Bigode. Aproveita e enfia umas ampolas no fiofó, sacana, maldito!

Ah, o cara só aparece aqui pra me espicaçar. Não tenho sangue de barata. Sou trabalhador, pago os meus impostos e não tenho dinheiro para comprar Rolex. Foda, mano. Nas horas vagas eu só venho aqui para dividir meus conhecimentos sobre tênis e outros esportes com o mundo web, porra, e vem um bastardo desses, um... filho de rapariga!!!!!!!!!!!!!

Agora que estou mais calmo, posso falar da estreia de Novak Djokovic. Poderia, mas, pelo jeito, não teve jogo. O tal do Niland, não sei, acho que não apareceu. Diante de um 6-0 no primeiro set, 5-1 no segundo e desistência, dizer o quê? Desistiu por quê? Vergonha?

Deixa disso, meu amigo. Esperemos a próxima vítima, Nole. Porque esse aí não deu nem pra preencher os buracos dos dentes.

Picadinho de Tênis

Assisti a um pedacinho aqui, outro ali, de umas poucas partidas do primeiro dia do US Open. Sou um rapaz trabalhador, que acorda às cinco da matina para pegar no batente, ralo feito um doido para garantir o sustento de minha família e, não é bem assim, mas é verdade que eu acordo às cinco da manhã.

Não esperem grandes análises do especialista aqui, porque eu sou sincero, transparente e, não é bem assim, mas o fato é que eu não consegui assistir a muitas horas de tênis ontem, como eu pretendia. E não foi nem por incompatibilidades com a patroa, que se aninhou ao meu lado no sofá e não questionou as minhas escolhas. Afinal, quem manda aqui, hein sacaninha da fila do gargarejo? É, não é bem assim. Não é bem assim mesmo.

Sem surpresas

Analisemos os resultados do primeiro dia. Sim, deu a lógica. O único resultado que me surpreendeu um pouco foi a derrota do sérvio Troicki, cabeça quinze, para Alejandro Falla. Noves fora, eu só esperava um pouco mais de resistência de Harrison contra Cilic (eu e todos os estadunidenses), de González contra Karlovic e de Kohlschreiber contra Radek Stepanek. Radek Stepanek, na minha opinião sincera, é o nome mais legal entre os tenistas do circuito. Um nome que rima! Desculpem... Voltando à seriedade do momento, acredito que González não esteja mesmo em forma. Ele era dúvida para participar do US Open, anunciou que vinha que vinha e, não disse a que veio. Pena, porque González é o estilo de tenista que eu gosto. Além de talentoso, é brigador, guerreiro, feito o nosso Meligeni.

Showman

Assisti aos dois primeiros sets e parte do terceiro set da partida do francês Gael Monfils contra o búlgaro Grigori Dimitrov, até a transmissão ser interrompida para acompanharmos a estreia do mago Federer. É claro que a galera da TV está certa, tanto do ponto de vista comercial quanto do ponto de vista esportivo, se assim podemos dizer. Se não podemos, foda-se, porque aqui eu posso dizer qualquer merda. É, aqui vos fala um fã incondicional de Federer, o cara que faz do tênis um esporte plástico, bonito de se ver, assim como fazia meu amigaço do peito, o Pete Sampras (bom, na verdade...deixa pra lá). Mas, devo reconhecer que o jogo de Monfils contra Dimitrov estava muito mais legal de se ver.

Monfils é, sem dúvida, um showman. Às vezes ele chega até a me irritar porque, parece-me, às vezes ele exagera nas gracinhas com o intuito de desconcentrar o adversário. Não acho isso lá muito ético, mas posso estar errado. De qualquer forma, Monfils é do tipo de tenista completamente irresponsável. Ele é capaz de botar uma partida a perder para tentar salvar um ponto absolutamente perdido, aquele em que a bola vem alta no meio e o adversário manda um puta de um smash que vai quase na arquibancada e, lá vai Monfils, feito um louco, se atirar no colo de uma senhora gordona que está na primeira fila para tentar rebater a bolinha (isso é só um exemplo hipotético, eu nunca vi Monfils atacar velhinhas na vida real). Pois é, só que as consequências podem ser nefastas. Tanto ele pode se arrebentar num lance desses quanto, ao final de um jogo longo, pode lhe faltar gás, de tanto que ele corre, pula, rola e... finge de morto?

É, ontem Monfils parecia que estava morto ao final do primeiro set. Reclamou do joelho, chamou fisioterapeuta, fez careta, bateu o pé no chão várias vezes, como quem confere se as coisas estão suportáveis. Ora, bem observou o comentarista Dácio Campos: o joelho do cara só doía quando ele perdia o ponto. Quando ele ganhava, estava tudo bem. O fato é que ele venceu o bom tenista búlgaro em três sets, com direito a lances sensacionais, de parte a parte. Dimitrov também mostrou que sabe dar show e, para entrar no clima, chegou até a sentar na bancadinha que separa a quadra do público, quando foi tentar pegar uma dessas bolas impossíveis.

Sonolência

Enfim, o jogo entre Monfils e Dimitrov estava eletrizante (interrompemos esse comentário para comentar a partida entre Federer e Giraldo) quando no Arthur Ashe Stadium começava a partida do número três do mundo que, com uma vitória, igualaria Andre Agassi em número de vitórias em Grand Slam. Olha, o primeiro set estava tão sonolento, mas tão sonolento, que até o Federer dormiu. Resultado: Ele estava ganhando de 5-1, com duas quebras de vantagem e sacava para o set. E não é que ele dormiu em quadra? De tão fácil que estava. Resultado: Giraldo devolveu duas quebras e encostou no placar. 5-4. Eis que Federer olhou para o placar e, depois de soltar um longo bocejo, pensou: é melhor fazer algo. E fez. Quebrou o saque do Giraldo para ganhar o primeiro set.

Eu, que tenho mais o que fazer, resolvi ir para a cama, afinal, estavam quase batendo as doze badaladas notúrnicas e, como diria Bento Carneiro, o vampiro brasileiro: eu vou amardiçoá ocê. Si ocê assisti jogo de tênis quando bater a meia-noite, sua cara vai ficar mais feia que a do Radek Stepanek i seu inglês vai ficar pior du qui u du Nadal, quase tão ruim quanto o do Joel Santana.

Com medo da maldição, fui dormir, sabendo que Federer levaria aquele jogo em três sets, por mais que desse umas cochiladas. Li hoje que ele deu mais uma cochiladinha no segundo set, mas não teve grandes dificuldades para fechar em 6-4; 6-3; 6-2, uma verdadeira contagem regressiva.

Hoje tem a estreia de Novak Djokovic, de Andy Murray, de Rafa Nadal e, é claro, de João de Souza, o Feijão. Aguardem.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Highlights

Hoje começa o US Open, com a participação de três brasileiros na chave principal. Podiam ser quatro, né?, mas Rogerinho ficou na última rodada do quali. Pena. Mas eu fico animado, apesar de saber que o único brasileiro que deve passar da primeira rodada é o Bellucci. Feijão tem tênis pra derrotar Ginepri, mas acho que não tem experiência o suficiente. De qualquer forma, o garoto é guerreiro. Vamos torcer.


Eu fico animado porque é uma pequena luz no nosso desprestigiado tênis nacional e, com essa história de centro de treinamento para a Olimpíada no Rio, quem sabe, finalmente, nós conseguimos nos aproximar um pouco do nível do tênis argentino? Isso já seria bom.


O segundo destaque deste início de semana, como não poderia ser, é a desastrosa derrota do América-MG para o Atlético-GO. Isso me abalou profundamente. De virada, bicho. Foi duro. E o Coelho terminou o turno como um coelho velho, lá na última posição da tabela. Olha, se nem o grande Givanildo conseguir tirar o América dessa, acho que não haverá milagre. Não podemos, no entanto, jogar o chapéu. Jamais. O segundo turno será o momento da virada. Mas que vai ser foda, vai. Só treze pontos em dezenove jogos? Teremos que fazer perto de trinta pontos no segundo turno para escaparmos. Não desanimemos, pois. Mas que vai ser foda, vai.


Finalmente, domingão de manhã, assisti ao GP da Bélgica de Fórmula 1. Mais uma vez, a Red Bull desfilou. O que foi aquela ultrapassagem do Weber pra cima do Alonzo, meus amigos? Parecia que ele estava a superar um retardatário na pista. Eu sei, com esse negócio de asa móvel, a coisa ficou mais fácil. Mesmo assim. Era gritante a diferença de rendimento do carro da Red Bull para a Ferrari do espanhol. E o vovô Schummacher, hein? Mostrou que ainda tem lenha pra queimar. Largou em último e chegou em quinto, com direito a ultrapassagem em seu companheiro de equipe, o Nico Rosberg, filho do grande Keke Rosberg.


O melhor mesmo seria entregar a taça para Sebastian Vettel e encerrar logo a temporada. Com esse sistema de pontuação, 25 pontos por vitória, Vettel foi a quanto?, 265 pontos? Sei lá, por aí. O negócio é que este ano não tem como tirar o título do alemãozinho. As outras equipes que pesquisem um jeito de ganhar asas também.


É isso aí. Hoje começa o US Open e eu tentarei assistir aos jogos da noite. Para isso, terei que fazer um trabalho de convencimento com a patroa, numa disputa limpa e cruel pelo controle remoto. Quem manda nessa casa, seu frouxo?, pergunta-me o sacana da fila do gargarejo. Sua mãe é que não é, safado.


E vamos Nole! Vamos Givanildo! Vamos, Chico Barrigudo!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Medida anti corpo-mole

Estamos às vésperas da rodada de fogo do Campeonato Brasileiro. Uma lástima, na minha opinião. É muito desmoralizante para um campeonato de pontos corridos ter que rechear sua última rodada com clássicos, no intuito de combater o corpo mole de times que poderiam perder de propósito seus jogos, só para adversários históricos não serem campeões.

Sinceramente, em qualquer campeonato sério, isso sequer seria cogitado. Eu odeio esse papo de que na Europa é tudo lindo e que aqui é uma merda, que no primeiro mundo isso e aquilo e aqui nada. Em geral, esse papo aparece diante de barbaridades e exemplos flagrantes de impunidade que nos acometem aqui no Brasil todos os dias. É um tal de o cara dizer: o Brasil é uma merda mesmo; se fosse na Alemanha...

O fato é que essas pessoas não fazem porra nenhuma pra melhorar. No melhor estilo lucianohuckesco de ser, se perguntam, indignados: eu pago os meus impostos e não tenho nem o direito de sair por aí com o meu Rolex? Mas essas mesmas pessoas jogam lixo pelas janelas de seus carrões, votam em pilantras da área delas, desmatam áreas lindas para construir suas mansões ou hotéis de luxo que lhes renderão mais dinheiro, para elas poderem comprar mais e mais Rolex e, por que não dizer?, ficam putas da vida se o time delas jogar sério numa última rodada de campeonato no caso disso favorecer um rival.

Parece viagem minha, mas está tudo dentro do mesmo pacote. Basta refletir um pouco. Se um time faz corpo mole, ele está lesando torcedores, envergonhando a disputa, fraudando consumidores, em suma, ele está corrompendo o campeonato. E a sua torcida, em muitos casos, apoia, mais que isso, exige que o time entregue o ouro.

Diante dos exemplos dos últimos anos: Corinthians não fazendo esforço algum, em jogo contra o Flamengo, que disputava o título com o São Paulo; São Paulo, no ano seguinte, dando o troco e levando uma goleada em casa do Fluminense que, por sua vez, disputava o caneco com Corinthians e Cruzeiro - o que dizer?

Inclusive, no primeiro exemplo citado, do título do Flamengo, eu lembro que, na última rodada, o rubro-negro enfrentaria o Grêmio, sendo que o Inter ainda tinha chance, em casa de derrota do Flamengo. Os gremistas exigiram que seu time perdesse e ficaram revoltados com o fato de o time ter endurecido a partida, inclusive, tendo saído na frente. O que dizer?

É isso, meu povo. Somos isso. Não adianta dizer por aí que "o Brasil é uma merda". Porque nós somos uns merdas. Nós somos o Brasil. Nós votamos nessa corja que domina o Congresso Nacional; nós dirgimos bêbados pelas ruas das grandes cidades e, ao atropelarmos alguém, fazemos de tudo para nos safarmos; nós trafegamos pelo acostamento; nós sacaneamos o colega de trabalho por uma promoção; nós gostamos muito mais de sacanear o torcedor adversário do que de fato celebrar uma vitória.

Não que essas coisas também não aconteçam no chamado primeiro mundo. É claro que acontecem, porque o ser humano é escroto mesmo. No Brasil, apenas existe um "plus", como gosta de dizer minha mulher, que é o fato de o sistema punitivo para ações que lesem a sociedade funcionar apenas para quem não tem grana. Possuímos uma justiça sencitária, uma polícia preconceituosa, desigualdade aliada à impunidade (vide Cacciola saindo pomposo da cadeia ontem). Vivemos num país que considera um pivete mais perigoso que um banqueiro ladrão.

Bom, eu sei que viajei longe. Não tive uma semana muito boa e, ainda por cima, deixei cair patê de cebola no meu maravilhoso sofá. Mas está lançado o meu protesto: não acompanherei essa "super-rodada" do Campeonato Brasileiro. Torcerei, apenas, em silêncio, pelo América do grande Givanildo. Avante, Coelho!


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sorteio para uns, "azareio" para outros

Terminado o sorteio das chaves para o US Open, que começa no dia 29 de agosto, passemos à séria análise que nos cabe.

Brasileiros:

Bom, sobre os brasileiros até agora garantidos na chave principal (Rogerinho está para jogar na segunda rodada do qualifying, na quadra 13) podemos dizer que Bellucci deu sorte e azar ao mesmo tempo. Sorte porque fará a estreia contra o israelense Dudi Sela, atual 94 do ranking; azar porque, se vencer, joga contra ninguém menos que Roger Federer, logo na segunda rodada.

Azar, é verdade, mas por outro lado, também é sorte, porque ele vai poder jogar sem nenhuma pressão e numa quadra central certamente lotada (isso, se vencer o israelense, que eu nunca vi jogar, mas Bellucci não anda nos seus melhores dias).

Agora, é fato. Nem por um milagre, nem que dê o maior piriri no Federer, pode perder as esperanças até o maior ufanista de nossa terrinha: não existe a menor chance, a menor possibilidade de Bellucci ir além da segunda rodada do Us Open este ano.

Quanto ao Ricardo Mello, o tenista campineiro também não levou muita sorte com as bolinhas do sorteio: pegará o cabeça doze Gilles Simon e deverá voltar para casa logo de cara.

Duelos interessantes na primeira rodada:

Separei duelos que eu considero equilibrados e interessantes, fora as partidas dos grandes favoritos, a quem, obviamente, sempre vale a pena ver em ação. Aí vão:

- Ryan Harrison vs. Marin Cilic

- Stepanek vs. Kohlschreiber

- Davydenko vs. Dodig

- Karlovic vs. Fernando Gonzalez

- Baghdatis vs. John Isner

- David Ferrer vs. Igor Andreev

- Benneteau vs. Nicolas Almagro

- Youzhny vs. Gulbis

Ryan Harrison foi apontado pelo Dalcim como uma boa promessa do tênis norte-americano e, portanto, pode surpreender o cabeça-27 Marin Cilic; Kohlschreiber vem de vitória sobre Andy Roddick e, no meu palpite, deve derrotar Stepanek; Dodig foi o sujeito que derrubou Nadal na primeira rodada de Montreal e pega Davydenko, o meu companheiro de calvície, que já teve dias melhores, mas continua sendo um tenista acima da média. Os outros jogos aqui mencionados, acho que prometem longos duelos e me apresentam sérias dúvidas. Por exemplo: em quem apostar? Em Marcos Baghdatis ou em John Isner? Oh, dúvida cruel.

Trajetória dos favoritos:

Djokovic deve fazer as quartas contra Monfis ou Berdysh, que demonstrou em Cincy estar bastante afiado. Antes disso, talvez faça jogos um pouco difíceis contra um Dodig, ou um Gasquet da vida. De qualquer forma, só uma lesão para tirar Nole das semifinais;

O desafio de Federer deve ser mesmo Mardy Fish nas quartas. Talvez um Troicki, ou uma surpresa como Bernard Tomic dê alguma suadeira no suíço. Confesso não saber o que pode sair desse duelo com Fish;

Andy Murray, na minha opinião, pegou a chave mais fácil e, para mim, só não alcança a semi se sofrer algum apagão. Não acho que Robin Soderling, Del Potro e muito menos um Wawrinka desses esteja jogando atualmente a ponto de incomodar o escocês;

Por fim, o atual campeão, Rafa Nadal: é, dos quatro, o que anda mais instável, mais instável até que o próprio Federer. Mas US Open é US Open, e acho que Rafa não bobeará. Suas maiores pedras até a semi devem ser David Ferrer, ou Almagro, Jurgen Melzer ou, ainda, quem sabe, Andy Roddick não renasce das cinzas? Pensando bem, acho que a chave do Rafa está ainda mais tranquila que a de seu provável adversário da semi, o Andy Murray.

E aguardemos as atuações de Rogerinho e Feijão, para vermos se teremos mais algum brasileiro na luta pela sobrevivência das primeiras rodadas. Se algum brasuca estiver vivo lá na terceira rodada, porém, confesso que passarei a acreditar em Papai Noel e em coelhinho da Páscoa.